Cheguei ao escritório ontem sob os aplausos e expressões de aprovação dos colegas. O motivo é que passei no teste pra cidadania americana, só falta agora a cerimônia. Ninguém aqui desperdiça oportunidade de comemorar qualquer coisa, então nada de esperar até o mês que vem. Me levaram pra almoçar e pareciam muito felizes por eu ter “entrado pro clube.”
Em determinado momento eu revelei a data da cerimônia e alguém achou absurdo nao terem me colocado no dia 4 de Julho, dia da Independência, quando acontece um evento enorme aqui perto, com direito a encenação da Revolutionary War e tudo o mais. O negócio dura horas. Quando disse que escolhi fazer outro dia por isso mesmo, muitos me olharam espantados. Calma aí, pessoal, o cara que vende patriotismo instantâneo em garrafinhas na esquina do prédio da imigração não apareceu por lá hoje, justo no meu dia.
Mais tarde, o diretor do departamento me perguntou duas vezes, DUAS, se eu sairia pra comemorar hoje à noite, ou se teria uma festinha logo mais. Quase fiz que não entendi a pergunta. Ele pareceu bem decepcionado quando eu disse que nao teria nenhuma comemoração especial. Eu, que já estava achando que o almoço foi um pouquinho demais, me perguntei por que razão sairia pra comemorar, era um dia como outro qualquer.
Sou grata a esse país por várias razões, mas tenho a sensação de que eles valorizam esse ato muito mais do que eu. Minhas razões pra me tornar cidadã americana são muito práticas, nada sentimentais, e nem contam apenas em meu próprio benefício. Eu não me sinto uma privilegiada ou coisa assim, a lei me permite requerer a cidadania e eu o fiz. Simples. Parece-me justo que, morando aqui, trabalhando e pagando impostos, eu tenha também o direito de votar – único benefício imediato do qual eu, pessoalmente, tomarei proveito. Quem sabe o tempo me faça entender melhor isso tudo.
Por ora, eu só espero que a cerimônia seja breve. Guardem os fogos de artifício pra quem realmente acredita que obter cidadania americana é uma benção. Eu sou too much of a nonbeliever pra me emocionar com essas coisas. Voltemos ao trabalho.
Junho 11, 2007 at 8:14 am
Carlinha, voce é CIDADA DO MUNDO agora. Nada de uma reles terceiro mundista! Cade a minha garrafa de champagne??? hehehehehehe
Beijuuuuuuuuuusssssssssss!
Juju, pense na responsabilidade, agora tenho que manter a compostura…hahaha!
Junho 11, 2007 at 12:50 pm
Baita reação lúcida, querida. Eu não esperaria nada de diferente vindo de você. De qualquer forma, a cidadania americana vai ser útil demais quando você se aventurar por outros países em férias; a cada dia que passa os brasileiros enfrentam mais dificuldades com autoridades nas fronteiras – é xenofobia para tudo quanto é lado. Triste, triste.
Lys, voce tem razao… tem mais esse beneficio.
Novembro 2, 2009 at 9:43 am
Carla, eu leio aqui quietinha. Eu moro aqui nos EUA e ano que vem posso dar entrada no processo de cidadania. Mas… dúvida cruel. O Brasil reconheceria minha dupla cidadania? Porque não quero de jeito nenhum deixar de ser brasileira. Como você já passou pelo processo todo, quem sabe pode me jogar uma luz!
Obrigada. Beijo.
Novembro 2, 2009 at 9:56 am
Oi Ione, Porque voce fica sempre tao quietinha…[?] Fique a vontade pra falar qualquer coisa, ate besteira, que e a minha especialidade.
Olha, se for do seu agrado ser cidada americana, se jogue sem medo. Eu ainda tenho meu lindo passaporte brasileiro e nao precisei abrir mao de nada. Faz bem uns vinte anos que isso mudou. Ate agora, ter me tornado americana, so tem me trazido beneficios.
Qualquer coisa, pergunta mesmo, porque nossa melhor fonte de informacao e quem ja passou por isso.
Beijos.