Dia comum, sozinha no trabalho, minha chefe, que tava de folga, veio me buscar pra almoçar. O almoço virou um convite pra jantar na casa da família dela, no Seneca Lake. Marido saiu mais cedo do trabalho, passou aqui no escritório e nos acompanhou no que deveriam ser algumas poucas horas de divertimento.
Chegamos ao lago e fomos recepcionados por John e Martha, irmão e cunhada, que já nos esperavam com bebidinhas e petiscos. What a start! Depois de um tour pela casa contruída há 120 anos, toda decorada com móveis antigos, um piano valiosíssimo na sala, um jardim de fazer inveja a Martha Stewart, sentamos a conversar com nossos anfitriões. Gente da melhor qualidade, que deixa as visitas à vontade em cinco minutos. O irmão é colecionador de, pasmem, saca-rolhas. Isso mesmo, o cara tem milhares e milhares de dólares empregados em valiosos saca-rolhas do mundo inteiro. E ele é tão gente boa que faz você se interessar pelo assunto e te dá um aula sobre como colecionar patentes.
Mais irmãos se juntaram a nós e fomos todos pra cozinha fazer uma massa com vegetais frescos, muitas mãos a colaborar. Jantar na varanda, com vista pro lago e pras muitas árvores altíssimas que fazem a gente se sentir numa floresta. Ao notar que eu não estava bebendo mais, John disse: “O que foi? Tá pensando que vai dirigir pra algum lugar hoje à noite?”
Depois da comida deliciosa e várias garrafas de chianti, ainda tentamos ir embora, apenas pra sermos advertidos: “Ninguém sai daqui antes do café da manhã. Diga à sua chefe que vai chegar tarde amanhã e pronto!” Ha! Foi isso mesmo que eu fiz. O jeito era voltar pro vinho, que parecia não acabar mais.
Eles já tinham preparado as camas antes mesmo de chegarmos lá. Camisetas novinhas e confortáveis nos esperavam. Dormimos no melhor quarto da casa, uma grande varanda cercada com tela, ao ar livre, com vista pra uma pequena cachoeira e árvores, muitas árvores. Privacidade total, mas sem paredes. Dormi ao som da água rolando pelas pedras e acordei ao som dos passarinhos ao raiar do dia. O lago ali, lindo, se oferecendo pra um passeio num dos barcos da casa. Pena que tínhamos que trabalhar.
Descendo as escadas, senti o cheirinho de café vindo da cozinha. Tomei o meu sentada na varanda, numa cadeira de balanço, deslumbrada com a beleza do lugar.
A palavra obrigada me pareceu ridiculamente insuficiente pra agrader tal hospitalidade.
Julho 6, 2007 at 3:03 pm
Parece coisa de filme isso!
Julho 11, 2007 at 4:40 pm
Que sorte a sua conhecer gente tão interessante e hospitaleira. Realmente, como disse a Liz, coisa de filme — e que filme!
Beijo.
Julho 27, 2007 at 6:34 pm
Menina que vidão desse povo. Só é ruim no inverno glacial. Da próxima vez, leve um daqueles saca-rolhas de ágata da H-Stern (para ser chic) ou do Mercado Modelo mesmo. Pode não ter patente mas garanto que ele ainda não tem.