novembro 2006


Eu sei, eu sei, hoje já é quinta feira e eu nem escrevi nada sobre o feriado da semana passada. Mas aí vai o resumão:

Fred tava uma coisinha de nada em cima da cama quando chegamos. Deu pena de ver. Eu até passei mal com a visão de todos aqueles fios ligados a ele e dos sinais de magreza no seu corpo. Ele não nos tratou pelo nome em momento algum. Acho que não nos reconheceu.

Na nossa última visita, porém, tivemos uma bela surpresa. Fred ouviu a voz do filho e o chamou. Os fios foram retirados, ele estava respirando sozinho e com um ar muito mais saudável. Ele ficou feliz de nos ver por lá. Meu marido ficou feliz. Eu fiquei feliz.

O Dia Ação de Graças, passamos com minha cunhada num restaurantezinho bem gostoso perto do hospital. Eu até gostei de não ter tido aquela comilança típica do dia. Me dá asco ver o povo comendo o dia todo sem parar. Mas confesso que senti falta de cozinhar em casa.

Vimos parte da família e passeamos por NY, que estava linda como sempre. Mas, dessa vez, decidimos ir apenas a lugares que eu ainda não conhecia. Aquela cidade é mesmo inesgotável. Fomos tambem visitar a comunidade brasileira em New Jersey, fazer umas comprinhas no supermercado brasileiro. Honestamente, eu não entendo quando as pessoas dizem que se sentem no Brasil quando estão nessas comunidades. Eu me sinto num lugar imaginário, numa realidade paralela, não me dá conforto estar lá. Por outro lado, o sabor da picanha era bem real e o bacalhau que comprei vai render uma bela comidinha semana que vem.

“Ah Idelber,

Que bom ler esse post! Anda tão cansativo emocionalmente procurar um meio termo entre os brazucas porque-me-ufano-de-meu-país-e-não-posso-viver-sem-goiabada-cascão e os graças-a-deus-estou-longe-dessa-gentinha-rebolativa-e-sequestradora…”

Márcia W. em Novembro 19, 2006 06:52 AM

Adorei o comentário da Márcia lá no Idelber!

Eu vivo tentando me desvencilhar desses dois grupos. Na última vez que me topei com um dos exemplares do último grupo, ouvi uma pérola do tipo: Eu odeio o Brasil e os brasileiros. Aquele país é terceiro mundo por causa do povo bunda que vive lá. Isso aqui é que é lugar de viver.

Todas as pessoas sentadas ao redor da mesa eram brasileiras, ninguém disse nada. Eu, antes de ir embora dali, perguntei que jornais americanos ele lia, ao que ele respondeu: Jornais? Eu não leio jornais, nem brasileiros nem americanos.

Allright, cara-pálida, have fun in your life!

Eu não discuto mais. Essas pessoas têm suas idéias escritas em pedra, não estão nem aí pro que os outros têm a dizer.

Nota: O pessoal do primeiro grupo está tão em baixa comigo que não vou nem comentar sobre eles hoje. Deixa pra outra oportunidade.

Já tinha nevado uma vez, e eu até tinha achado bonito de ver pela janela. Mas, hoje de manhã, ao ser surpreendida pelas árvores completamente sem folhas e cobertas por uma fina camada branca, eu me dei conta de que 0 inverno está chegando.

Eu ainda não desempacotei minhas roupas mais quentes, meus casacos de inverno ainda estão num closet lá em cima, ainda não lavei meu cobertor mais pesado, ainda não tenho passagem pro Brasil, medidas essenciais de sobrevivência na estação que chega. Que será que está acontecendo comigo?

Eu não posso ver alguém que amo sofrendo, eu sofro antes, eu choro mais, eu me desespero primeiro. O pai de meu marido está no hospital há quase um mês, todo dia aparece alguma coisinha. Ele tem 89 anos. Eu não gosto de ver meu marido triste, preocupado, perdendo a esperança.

Eu gosto muito do meu sogro, Fred. Ele tem cara de avô pra mim, avô ranzinza, avô reclamão. Toda vez que o vejo lembro de meu avô baiano ranzinza. Fred gosta muito de minha comida, ele nunca reclama quando eu cozinho, e ele reclama o tempo todo, sobre tudo.

Segura as pontas aí, Fred. A gente já tá chegando. Estou levando sua fruit pie e seu cranberry sauce, como prometido. No hospital, na nursing home ou em casa, não importa, nós vamos estar juntos no Dia de Ação de Graças, pra agradecermos pela sua longa vida.

Vi essa lista na Fer e resolvi fazer a minha também:

What to Wear: Todo dia: roupa e sapatos sempre confortáveis pra trabalhar. De noite: Jeans, blusinha delicada, sapato fashion. De vez em quando: vestido preto e sandálias altas.

What NOT to Wear: Nova moda do skinny jeans, ou calças Audrey Hepburn (o que esse povo anda fumando?)

What to Shoe: Sandálias rasteiras no verão, botas de bico fino no inverno.

What to Bag: Sempre a mesma bolsa preta pra trabalhar, só troco pra sair à noite.

What to Denim: Escuros, boot cut, Banana Republic.

What to E-Bay: Nada, mas muito to Amazon.

What to Tee: Preta sempre.

What to Accessory: Colares de materiais naturais.

What to Bargain: Qualquer coisa na Marshalls.

What to Jewelry: Esmeraldas, H. Stern.

What to Makeup: Rímel, lápis e batom.

What to Fragrance: Chance da Chanel.

What to Hair: Pantene, meus cabelos não gostam de produtos caros (pelo menos isso, né?)

What to TV: 24.

What to Listen: Ed Motta.

What to Read: Agora? Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa.

What to Eat: Tudo que é do mar (exceto ostras cruas e mussels).

What to Drink: De dia, água. De noite, vinho tinto, do appetizer à sobremesa.

Vamos falar de coisa séria agora. Eu adoro quando pastores e padres sem-vergonha caem nas suas próprias armadilhas e dão shows de hipocrisia. Dessa vez a estrela do espetáculo é o Pastor Ted Haggard – criador da New Life Church – que apóia Bush que, por sua vez, anda cercado de gente safada. Pra quem ainda não sabe, Ted é fervoroso opositor do homossexualismo e luta(va), entre outras coisas, pra condenar a união gay.

No dia 2 de Novembro, Mike Jones, um cara que vendia servicinhos ao pastor, acordou pelo avesso (como diria a minha mãe) e resolveu abrir a boca. Segundo Mike, eles tiveram encontros sexuais mensais durante os últimos 3 anos. Ah, tem mais, Ted usa meta anfetaminas e encomendava suas poções mágicas a seu companheiro de cama.

Ok, vamos dar-lhe algum crédito. Ele escreveu uma carta pedindo desculpas aos seus seguidores e foi bem claro ao dizer que a culpa era somente dele e que Mike apenas tinha colocado pra fora as coisas feias que ele próprio tinha feito. Mas ele adicionou também um tom de vítima à carta que, com certeza, arruma o cenário para os próximos capítulos. Aguardem, Ted vai voltar como vítima da droga e dos pecados da carne. Você vai ver…

Se você lê inglês, dá uma olhada na carta de desculpas aqui: http://www.gazette.com/display.php?id=1326184&secid=1

Muitos americanos têm o hábito de tirar os sapatos ao entrarem em casa pra não trazer para seus tapetes, carpetes e assoalhos as impurezas que vêm da rua. Nada contra, aqui em casa o hábito também é esse, é muito mais fácil manter limpa uma casa onde não se entra de sapatos do que ficar limpando o chão todo dia.

Tudo isso funciona muito bem até o momento em que chegam as visitas. Eu não peço a niguém que fique descalço na minha casa, mas tem gente que pede, e eu não me importo. Até ofereço se o momento for casual e se eu estiver usando uma meia que não esteja furada. Mas se for um jantar sentado, com toalhas brancas, guardanapos de linho, velas e flores na mesa, me deixe estar com os meus sapatos. Eu não vou botar meu pretinho nada básico, tendo o cuidado de combiná-lo com os sapatos certos, pra passar a noite descalço. Isso seria um despropósito. Carrie já passou pela mesma saia justa num episódio de Sex an the City e saiu de lá sem seus sapatos.

Ontem à noite eu e uma amiga fomos obrigadas a ignorar a sugestão discretíssima da anfitriã para que tirássemos os sapatos. Como fomos as primeiras a chegar, ninguém mais tirou os sapatos depois de nós. Longe de mim querer causar problemas com a nossa querida amiga, que tão gentilmente nos convidou pra experimentar de sua culinária refinada. Mas eu não paguei tanto dinheiro por um sapato pra deixá-lo abandonado na soleira da porta.

Próxima Página »