fevereiro 2007


Djimon Honsou, o homem mais lindo da face da terra. Eu não queria saber de resultado de nada, só assisti ao Oscar pra vê-lo de smoking. Oh, yeah! Ssssmoking hot!!!!!!

Agora sim, dei pra sonhar com meu ex-marido. Mas que diacho agora eu tenho que sonhar com ele a cada dois, três meses. Eu, hem! Falta de assunto.

Outro dia sonhei uma historinha que se passava aqui pertinho, no Canadá, e que envolvia gente daqui do escritório. Eu não estou gostando nada de ele vir se meter na minha vida aqui, uma vida que ele nem conhece, um povo que ele nunca viu.

Essa noite sonhei que estava brincando com a filha dele que, na vida real, é filho. E que a mulher dele me olhava com aquela cara de cu de sempre, a mesma que com que ela me olha sempre. Ela não gosta de mim, só porque eu fui mulher dele antes de ela ser. Eles moram perto de minha mãe e, sempre que se encontram, ela olha minha mãe feio também. Nesse ritmo, ela tem muitas mulheres pra olhar feio, porque ele é bem rodado.

Fui cair na besteira de contar pra uma pessoa, de Salvador, que andava sonhando com ele e ela me perguntou se eu ainda o amava. Mas veja que coisa mais sem pé nem cabeça. A gente não pode nem mais sonhar com a pessoa. Vixe!

“Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar
Deixa o barco correr
Deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira
Que você quiser
O que você pedir, eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser”

(Trecho de Noite dos Mascarados, Chico Buarque)

Acordei com uns 35 centímetros de neve na frente da garagem. Na metade do caminho pro trabalho me arrependi de ter saído de casa. A neve não pára de cair e a temperatura é de -9ºC, uma combinação perigosa porque a neve não derrete e o sal nao dá conta. Aqui nessas bandas do mundo a vida não pára, as pessoas dirigem em tudo que é condição climática e muita gente vai trabalhar. Acidentes em cada esquina, mas eles insistem.

Meu chefe acha a coisa mais normal do mundo vir pro trabalho nessas condições, acha até engraçado. Eu vou é ligar o f***you especialmente pra ele e voltar pra casa já-já. Sou mais minhas cobertas.

O dia seguinte:

Temperatura: -24C

Volume de neve:  56 cm.

Overall situation: Tá foda! 

 

Há anos não ouvia Maria Bethania, não estava interessada nos últimos cds, até que ela insistiu, ignorou meus protestos e mandou o arquivo com as músicas de Mar de Sophia. Nesse disco, como todo mundo já deve saber, Bethania canta o mar, inspirada pelas palavras de Sophia de Mello Breyner. Foi o meu fim. E o meu começo.

Na primeira faixa, abertura do disco, a minha ferida mais profunda também se abriu quando ouvi: “Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar”, trecho retirado do texto Inscrição, de Sophia de Mello Breyner.

Na segunda faixa tem Iemanjá Rainha do Mar e eu pensei: Como pode o Rio Vermelho viver sem mim no 2 de fevereiro? Eu preciso estar lá! Era um chamado e eu não atendi.

Ainda nessa faixa tem Beira-Mar, e eu vi minha mãe, há vinte e cinco anos atrás, a rodopiar pela casa com sua saia branca esvoaçante, no tempo em que ela era feliz. Chorei de saudades dela, chorei porque ela não é mais tão feliz, chorei porque aqueles anos não mais voltarão. Beira-Mar é minha mãe, sou eu, é Clara Nunes tocando na vitrola, é meu pai chegando da feira, é a nossa mesa farta, Beira-Mar é minha família ainda feliz.

Mar de Sophia ainda tem Grão de Mar, tem Kirimurê, de Jota Veloso, lindamente executada por Naná Vasconcelos. Tem Poema Azul, na qual ela cita Sophia, sempre sobre o mar: “…momentos há em que eu suponho seres um milagre criado só pra mim.” Tem As Praias Desertas, tem Dona do Raio: O vento, sobre Yansã – Santa Bárbara, que também é minha mãe. Tem Floresta do Amazonas, tem Canto de Nanã, o recomeço.

Mas, acima de tudo, Mar de Sophia tem Memórias do Mar, na qual ela canta que “o mundo é um mar, maré de lembranças, lembranças de tantas voltas que o mundo dá.” É nessa música que percebo que Sophia de Mello Breyner sabe muito mais de mim do que eu mesma sabia, e é de onde tirei a frase que coloquei lá no topo da página, ancorando o nome desse blog, amparados pela foto do Farol da Barra, que é o meu guia nessa vida.

Eu nunca tinha colocado nada embaixo do nome do blog porque nunca encontrei nada que me definisse, que me explicasse completamente. Pois está aí, esta sou eu. Mar de Sophia sou eu. Ouça, se quiser.

  • A coisa mais assustadora que pode acontecer é voce estar no local do seu recente acidente em condições climáticas piores do que as da noite do acidente. Putaqueopariu! Eu queria saber voar.
  • Letters from Iwo Jima é um filme muito bom. Mas é de guerra e o povo morre com os pedaços pulando pra lá e pra cá. Tô fora, quero mais não. Enfraqueci.
  • Pense numa casa cheia de gente, muita comida e bebida, caipirinhas rolando soltas, feijão na pança e muita conversa fiada. Bom, né?
  • Mas pense também num grupo formado por brasileiros, italiana, portuguesa, canadense, alemão, americanos e bengali (natural de Bangladesh). Caras, eu precisava de um Aparelho Tabajara para Eliminação de Sotaque. Daqueles de enfiar na orelha, sacomé?

“Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá.”

Odoyá, Minha-mãe!

A esta hora estão todos lá, os pescadores, os marujos e as baianas, na beira da praia do Rio Vermelho, te saudando. Que a sua festa seja linda e que o céu esteja daquele azul puríssimo, só pra te celebrar. Receba minha homenagem.

Também homenagearam a Rainha: Pirão Sem Dono e Islashi.