Eu chamo de terapia, meu marido chama de hobbie.

Pratos delicados, nutritivos e com baixa caloria quando estou feliz. Felicidade combina com frutos do mar grelhados e vegetais crus, ou quase. Pratos pesados, de longo cozimento, quando estou triste – feijoadas, cozidos, ensopados e grandes panelas de frango à cacciatore me ajudam no processo de reajuste. Nao importa se tem gente pra comer aquilo tudo, basta que esteja pronto. Quando estou contemplativa, risotos e sopas cremosas são ideais, cozinho em silêncio.

O vinho que vai na comida vai no meu copo. Vão à boca nacos de pão, legumes crus e lascas de queijo. Não cozinho bem quando estou com fome, falta paciência. Não sinto fome quando acabo de cozinhar, preciso de tempo pra me livrar dos cheiros. Um longo banho e roupa limpa resolvem o problema. Comida gostosa combina com mesa bonita e començais cheirosos e arrumados.

Nao gosto de cheiro de comida pairando no ar quando vou dormir. Pra me livrar do alho e da cebola faço um bolo pro café da manhã, ou um chá aromático. Não sou de forno, sou das panelas. Só faço sobremesa quando tem visita. De vez em quando levanto da mesa do jantar e vou cozinhar mais, pro almoço de amanhã, pro lanche, só pra fazer. Porque eu preciso.