abril 2007


Faz um mês que voltei do Brasil. Aos poucos me recuperei da ressaca da viagem, da saudade sem tamanho, da vontade de ter ficado lá. A vida aqui começa a voltar à sua normalidade. Devagar, vou redescobrindo a razão de estar aqui.

Semanas atrás, ainda tomada pelo impacto da volta, escrevi: “Esse é o amor mais dedicado e menos egoísta que eu já experimentei na vida. Um amor que cuida, que ampara, que protege. Isso só já é razão bastante pra que eu me levante e saia da escuridão do meu próprio umbigo.”

De lá pra cá eu só consegui confirmar cada palavra. Precisei muito dele nessas últimas semanas, e ele estava lá, forte. Ele sabe que eu deixei muita gente, muitas coisas pra trás. E ele sabe que a força que me chama de lá é poderosa. Mas me olha com aqueles olhos apaixonados e é como se agradecesse por eu ter escolhido estar aqui. 

Ela veio buscar o filho e entrou pra um cafe. Quando soube o que estava acontecendo desse lado de ca da familia, mandou essa:

Voce sempre foi um pai maravilhoso, sempre fez tudo pensando nos meninos, nao e agora que vai ser diferente. Se quiser aproveitar essa oportunidade, tem todo o meu apoio.

Tantos significados num paragrafo so, tantas nuances diferentes. Mas eu nao pude deixar de mostrar um sorrisinho no canto da boca porque, no meio de tanta gente, eu casei com o homem certo. Nunca, em tempo algum, eu me relacionei com alguem que tivesse esse tipo de reputacao com a ex. Meu marido e lindo.

Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira.
(Cecília Meireles)

Mais ou menos como Natal. Eu vou dormir por algumas horas e, quando acordar, terei brinquedo novo. Ha!

O blog dela é aqui, e é lindo, mas eu achei esse texto lá no Inagaki. Divido:

Ela afundou o corpo nele o mais que pôde, como se assim pudesse aprisionar um instante, como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não lhe entrega e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar. Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote“.

Rita Apoena


Nunca a sensação de não pertencer foi tão forte. Nunca a saudade demorou tanto a passar. Eu queria poder aterrisar e viver aqui, onde estou agora, mas eu só consigo flutuar sobre os acontecimentos como se assistisse a eles. Queria voltar pra casa, mas não sei mais onde fica.

Seu perfil: ESTJ

(Extroversão Sensação Pensamento (Thinking) Julgamento)

Eu fiz esse teste aqui e olha só o resultado. Só tenho duas coisas a dizer: 1) Eu queria ser mesmo tão determinada. 2) Eu não sou insensível.

Você vive num mundo de fatos e de necessidades concretas. Sua cabeça está no presente, com sua mente analisando constantemente seu ambiente pessoal para garantir que tudo esteja funcionando bem e de uma maneira sistemática.

Você procura honrar leis e costumes, e tem um forte sistema de valores. O problema é que você espera o mesmo dos outros, e acaba não tendo paciência nem compreendendo as pessoas que não pensam como você. Você valoriza competência e eficiência, e gosta de ver resultados rápidos para seus esforços.

Você tem facilidade para assumir o comando das coisas, e é muito bom nisso. Com uma visão tão clara da maneira como as coisas deveriam funcionar, você assume cargos de liderança naturalmente, onde acaba por aplicar sua agressividade e autoconfiança.

Mas você também pode ser excessivamente rígido e crítico com as pessoas, pois você tem a tendência de falar diretamente aquilo que pensa, especialmente se observar alguém não está se comportando de acordo com os seus critérios. O lado bom é que suas críticas são claras fáceis de entender, pois você vai direto ao assunto, e fala somente aquilo em que acredita. Por isso você deve ficar atento à maneira como fala.

Você também deve se esforçar para compreender e valorizar a maneira como outras pessoas vêem o mundo — pois você poderá acabar aprendendo algo novo. E, se você não aprender a dar atenção aos sentimentos, você também pode acabar por magoá-las, fazendo com que se distanciem.

Você é uma pessoa que tem prazer em lidar com outros e em se divertir, podendo ser bastante animado e divertido em eventos sociais, especialmente em atividades voltadas à família, à comunidade, ou ao trabalho.

Mas quando abatido por uma situação estressante, você pode acabar se sentindo pouco compreendido e isolado, como se as pessoas não pudessem reconhecer seus esforços. Apesar de que normalmente você é bastante falante e não tem problemas para se expressar, sob estresse você pode ter dificuldades em transformar seus sentimentos em palavras, e, assim, em comunicá-los às outras pessoas.

Como você também é uma pessoa muito esforçada, geralmente faz tudo o que acha que deve ser feito no seu trabalho, casamento e comunidade, gastando uma boa quantidade de energia nisso.

Você é uma pessoa consciente, prática, realista, e confiável. Mas cuidado: ao mesmo tempo que você tem muita clareza para atingir e para defender suas metas e causas, você pode acabar tendo dificuldade de conseguir reconhecer ou valorizar a importância de qualquer ideal que esteja além daquilo que você estabeleceu como importante.

Tente manter a mente um pouco mais aberta para reconhecer a importância prática dessas metas, e mais cedo ou mais tarde você acabará se surpreendendo pelo aumento de clareza e de segurança que isso trará para sua vida.

Atitude: Extrovertida

Temperamento: Guardião

  • Atitude (segundo Spranger): economica
  • Elemento: terra
  • Fonte de alegria (Aristoteles): aquisicoes
  • Simbolo mitologico (segundo Paracelso): gnomos (trabalho)
  • Temperamento (segundo Galen): colerico

Sua oração: “Senhor, ajude-me a ter mais confiança na capacidade dos outros. (Mas se Você tiver qualquer dificuldade, me avise, ok?)” (Adorei essa parte!!!)

E eu que pensei que encontraria flores brotando, afinal eu moro na Flower City do Estado. Acordei com a grama pintada de branco, a temperatura a -3, que com o vento vai pra -9. Uma fina, e perigosa, camada de gelo cobria minha rua, o que fez meu carro patinar um pouco. O casaco de frio, que já descansava no closet do primeiro andar, teve que descer e sair de casa.

Estima-se que a frente fria dure uma semana. Seria pedir demais que a Primavera chegasse? Que esse tempo louco soubesse que já é Abril?

Desci do avião e vi a enorme fila de cidadãos americanos esperando pra passar na imigração. A fila de visitantes bem menor, que droga!

Olhei em volta e vi uns cinco brancos de olhos azuis em meio a um mar de gente de pele escura. Indianos, pasquistaneses, árabes, africanos, gente de tudo quanto era cor, cultura e religião. Assim é NY, os americanos daqui são qualquer coisa, menos americanos de nascimento.

Depois de penar na fila por mais de 1 hora e de pegar minha bagagem, fui abordada em português com sotaque carregado por um agente engraçadinho. “Posso ver seu passaporte? E nessa mala vermelha, tem o quê?” Pensei: Hum! O cara tá de sacanagem comigo, vai abrir minha vida toda aqui no meio desse saguão. Errado. Me levou pra um lugar mais reservado e falava em inglês agora: “Tem comida nessa mala? E cachaça? 51 ou Ypioca?” Eu só olhando pra cara dele. “Café Pilão também tem?” Finalmente eu perguntei como ele sabia todas essas marcas e ele disse: “Talvez eu seja brasileiro, quem sabe?” Yeah, right! Bagunçou minha mala toda e deixou lá, aberta, pra que eu me virasse. Idiota!

Peguei o trem errado pro terminal 3, hoje não é meu dia.

Finalmente cheguei ao terminal da Delta, a coisa mais zoneada que você já viu na vida, e os controladores de vôo nem estão em greve, imagine. Uma vontade louca de tomar um café, mas a fila da Starbucks estava dobrando a esquina. Não fazia sentido entrar naquela fila enorme quando o que eu queria mesmo era um espresso com countreau. Sentei num bar por causa das tomadas, pluguei meu computador e não consegui conexão. Pedi um sanduíche de peito de peru que veio com meio quilo de peru dentro. Argh!!! A Heineken estava boa como sempre, mas me custou 6 dólares.

Depois de 1 hora de atraso, meu vôo finalmente saiu. Sobrevoamos a Big Apple e tomamos o rumo de casa. Aqui me esperavam um céu nublado característico, um marido feliz, um banheiro com a reforma pela metade, uma geladeira vazia e a ausência do mar. Pra celebrar, comemos no nosso buteco vietnamita favorito, assistindo gente suspeita fazendo transações ainda mais suspeitas no ponto de ônibus. O vermicelli estava delicioso. Agora sim, estou na América.