Desci do avião e vi a enorme fila de cidadãos americanos esperando pra passar na imigração. A fila de visitantes bem menor, que droga!

Olhei em volta e vi uns cinco brancos de olhos azuis em meio a um mar de gente de pele escura. Indianos, pasquistaneses, árabes, africanos, gente de tudo quanto era cor, cultura e religião. Assim é NY, os americanos daqui são qualquer coisa, menos americanos de nascimento.

Depois de penar na fila por mais de 1 hora e de pegar minha bagagem, fui abordada em português com sotaque carregado por um agente engraçadinho. “Posso ver seu passaporte? E nessa mala vermelha, tem o quê?” Pensei: Hum! O cara tá de sacanagem comigo, vai abrir minha vida toda aqui no meio desse saguão. Errado. Me levou pra um lugar mais reservado e falava em inglês agora: “Tem comida nessa mala? E cachaça? 51 ou Ypioca?” Eu só olhando pra cara dele. “Café Pilão também tem?” Finalmente eu perguntei como ele sabia todas essas marcas e ele disse: “Talvez eu seja brasileiro, quem sabe?” Yeah, right! Bagunçou minha mala toda e deixou lá, aberta, pra que eu me virasse. Idiota!

Peguei o trem errado pro terminal 3, hoje não é meu dia.

Finalmente cheguei ao terminal da Delta, a coisa mais zoneada que você já viu na vida, e os controladores de vôo nem estão em greve, imagine. Uma vontade louca de tomar um café, mas a fila da Starbucks estava dobrando a esquina. Não fazia sentido entrar naquela fila enorme quando o que eu queria mesmo era um espresso com countreau. Sentei num bar por causa das tomadas, pluguei meu computador e não consegui conexão. Pedi um sanduíche de peito de peru que veio com meio quilo de peru dentro. Argh!!! A Heineken estava boa como sempre, mas me custou 6 dólares.

Depois de 1 hora de atraso, meu vôo finalmente saiu. Sobrevoamos a Big Apple e tomamos o rumo de casa. Aqui me esperavam um céu nublado característico, um marido feliz, um banheiro com a reforma pela metade, uma geladeira vazia e a ausência do mar. Pra celebrar, comemos no nosso buteco vietnamita favorito, assistindo gente suspeita fazendo transações ainda mais suspeitas no ponto de ônibus. O vermicelli estava delicioso. Agora sim, estou na América.