outubro 2007


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A Fal, uma mulher de sabedoria indescritível, escreveu pra uma de suas milhares de visitantes diárias: “Fia, tô indo caminhar que o mundo é grande”. Eu li aquilo e fiquei com minha cara de idiota olhando pra tela, pensando que é exatamente isso que eu preciso fazer, ao invés de ficar me prendendo a compromissos irreais e a pequenos prazeres que não valem a luta. Ela só não disse onde é que a gente arruma coragem.

Tem uma coisa muito legal rolando no mundo virtual na blogosfera (eu odeio essa palavra, mas precisei usá-la aqui). A Copa de Literatura Brasileira. Aqui tem post inaugural do coordenador do projeto.

O negócio é assim: Cada jogo é disputado por dois livros de autores diferentes. Os jurados são todos, acredito eu, blogueiros famosos. Cada jurado “apita” um jogo e determina quem ganhou e quais as razões… ora, voce sabe como funciona uma copa de futebol, né? Então.

Como no futebol, às vezes o jogo esquenta, e já teve até escritor que apareceu na caixa de comentários, no final do jogo. Vai lá ver, vai. Depois me conta o que você achou.

Eles já vão pras quartas de final, mas ainda dá pra ler sobre os jogos anteriores e acompanhar a disputa.

Abertas as inscrições para o fantástico curso de Arte na História da Fal.
O curso é totalmente virtual.
Peça informações aqui: artenahistoria@gmail.com

Imperdível!!!!

Copiei o anúncio da Mani 🙂

ARTE NA HISTÓRIA

Aula I
Arte. Que é isso?
Algumas teorias sobre o surgimento da arte.
Pedra lascada, pedra polida.
A vida como nós a conhecemos: as primeiras civilizações
No princípio era o verbo
Dos tijolos sumerianos aos jardins suspensos da Babilônia, passando pelos gatinhos do Egito.
Os números da Maloca
Tantos povos, tantas histórias: persas, minóicos, micênicos, hititas, lídios, medos, dóricos fenícios, cartaginenses e, ufa, hebreus

Aula II
Se oriente rapaz I: China e Índia
As crianças da Grécia
Os geniais etruscos
Roma e a não-arte

Aula III
Balaio de gatos: bárbaros germânicos, arte românica, gótica e a Idade Média
Construindo catedrais com a Ana Paula
Se oriente rapaz II: Japão

Aula IV
Humanismo
Grandes navegações: o mundo diminui
A terra é mui graciosa, tão fértil eu nunca vi
Apertem os cintos, o Papa sumiu

Aula V
O barroco francês, Rembrandt, Bach e outras coisas do século XVII que fazem meu coração sorrir
Bebendo café com o Mauro

Aula VI
Carneirinho, carneirão: o Arcadismo
Born in the USA
Eu sou Napoleão Bonaparte
Linha de montagem

Aula VII
Vizinhos Reais
Noutras palavras, sou muito Romântico
Romantismo Português, ó pá!
Eu te amo, porra! – Romantismo no Brasil
Evolução: ‘Sua mãe pode até descender dos macacos, mas a minha não’

Aula VIII
A vida como ela é: O Realismo
A Natureza é tão natural
Simbolismo
Lerê Lerê
República ou morte
Impressionante
Freud, explica!!

Aula IX
Século novo, vida nova
Espartilhos e grandes bigodes: a Primeira Guerra Mundial
Futurismo, cubismo, dadaismo: é ismo que não acaba mais
Modernismo: Brasil e Portugal
Derretendo relógios
Fazendo moda, fazendo arte
Nós cantamos na chuva
A Segunda Grande Guerra
Baby boom
O anjo pornográfico

Aula X
Flower Power, o passaporte pra revolução
As veias abertas da América Latina
Coca-cola é isso aí: a publicidade e o divino, e as malas da Carla San
Moda, cinema, literatura, poesia, arquitetura, teatro, pintura, escultura, publicidade, rádio: stress puro ou seu dinheiro de volta.
O Havaí seja aqui : internet, a nova arte e o diário coletivo
De volta à pintura de paredes: os novos urbanos

37 voltas em torno de mim mesma.

37 viagens ao interior do meu umbigo.

37 egotrips alucinadas.

Tudo isso pra descobrir o óbvio, o que todo mundo já sabe, o que eu também já sabia mas tinha esquecido: O sol sempre nasce no dia seguinte, e não há céu mais azul do que o de hoje, não há grama mais verde que a minha, nem há marido melhor do que o meu, é importante acrescentar. Descobri também que o grupo de pessoas que me amam de verdade está longe de ser numeroso, é talvez um grupinho tímido que nem faria muito barulho se reunido numa mesa de bar, mas é poderoso, é forte, e alcança distâncias enormes.

Tá bom, todo mundo já sabe que a vida é assim mesmo, dias bons, dias ruins… Mas eu nasci ontem, permita-me o momento de descoberta.

Dia frio e cinza, perfeito pro meu estado de instrospecção e análise. Assisto a tudo como a um filme, não me sinto parte dessa história. Exceto por aquele que vive comigo, ninguém aqui chega a tocar além da superfície. Ainda bem que ele existe. Os afagos mais carinhosos e os abraços mais apertados vieram de longe, de gente que realmente se importa.

Como sempre, sem se dar conta, ela me secou a lágrima que estava pendurada no cantinho do olho, me deu um sorriso de presente, e ainda lembrou de dizer que o presente de verdade está pra chegar, e não demora nada.

Que me desculpem os novos amigos, mas tempo de serviço é importante e eu gosto. Ela me conhece há 22 anos e só hoje eu me dei conta disso. Sabe como é botar os pés na mesinha de centro na sala da pessoa? Saber de todos os seus ex-namorados, dos seus defeitos e qualidades? Assistir televisão na cama, entre ela e o marido, morrendo de rir do filme idiota? Abrir a geladeira sem pedir licença e descobrir que tem a minha sobremesa favorita? Chamar uma a outra por apelidos que, em público, nos causariam vergonha? Antigüidade é posto (como é que bota o trema, minha gente?) (Obrigada, Gabi!).

A minha outra metade acordou hoje cantando ‘parabéns pra você’. Mas a música do dia acabou sendo ‘Jaded’, do Aerosmith.

Beyond the field

O outono costuma ser muito bonito aqui na região dos Finger Lakes, onde eu moro. Hordas de novaiorquinos irritados e irritantes sobem pro Norte só pra ver o espetáculo das folhas douradas e vermelhas, que nós podemos contemplar da janela da cozinha. Bebem todo o vinho das nossas vinícolas, comem nossas tortas de uvas, compram todo o artesanato, fotografam nossos lindos lagos de águas frias e voltam pra casa dizendo que o ‘upstate’ é mesmo o ‘countryside’. Esta é a única época em que se dignam a notar nossa existência. Pois fiquem por lá, porque aqui não tem outono esse ano.

As árvores estão confusas, não sabem como se comportar. Num mesmo pé de planta pode-se ver três estações diferentes: folhas verdes, folhas vermelhas e galhos sem folhas. O cara da previsão do tempo fala de chuvas causadas pelo ‘lake effect’, fenômeno que normalmente causa nevascas assustadoras na região dos lagos. O calor veranesco durou até segunda feira passada, mas hoje é sexta e já é inverno. E o povo que se muda da Califórnia pra cá por causa das estações definidas, reclama com quem quando a primavera dura duas semanas e o outono não existe? Aqui agora só tem duas estações, seus bestas: inverno tenebroso e obras-na-pista.

No ‘upstate’ as pessoas levam a estação das abóboras muito a sério, se preparam pra ela, cumprem um ritual de atividades características da época. Jardinagem, longas caminhadas por sobre as folhas secas, picnics no parque, dia das bruxas, decoração com abóboras, sopas de abóboras, tortas de abóboras, tudo culminando no dia de Ação de Graças, ou dia do peru (quando normalmente já está nevando muito, mas deixemos quieto). Marido me ensinou até a sentir o cheiro do outono, porque meu nariz baiano só conhecia cheiro de praia e cheiro de roça. Não vou me arvorar a explicá-lo aqui, ne? Só te faltava essa. O problema é que eu só senti o tal cheiro duas vezes esse ano. E já é inverno.

Genesee Park

Não é só a natureza que está a perder o seu encanto. Eu demoro a acordar de verdade, confusa que fico com a quase escuridão lá fora. Meu corpo não se ajusta bem, sinto frio, me visto pra uns 20 graus quando o termostato mostra 45, a melancolia toma conta de mim. Costumava estar mais feliz que isso nas proximidades do meu aniversário. Será só o clima? Estarei eu a perder minhas folhas cedo demais? O aquecimento global altera o estado de minh’alma.

Claro que o tempo pode virar na semana que vem e nos proporcionar típicos dias outonais, de céus azuis e temperaturas agradáveis. Mas as folhas, elas não vão se recuperar da confusão. Antes que tenham tempo de tranformar-se, se soltarão dos galhos, porque já será hora de se desnudarem pro cair da primeira nevasca, quando se transformarão em adubo pra vida que se renova na próxima primavera, se esta vier.

Eu? Eu fico mais jovem e feliz a cada amanhecer ensolarado. Se ele, o sol, aceitar meu convite, farei 20 anos na segunda-feira. Se for um dia cinza, 85.

Meu predio, de novo

fotos 1 e 2: Genesee Park, por onde eu passo todos os dias a caminho do trabalho.

foto 3: o predio onde eu trabalho.

Ambas tiradas em algum dia de outubro de 2004 (a data impressa esta errda).

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