Dia frio e cinza, perfeito pro meu estado de instrospecção e análise. Assisto a tudo como a um filme, não me sinto parte dessa história. Exceto por aquele que vive comigo, ninguém aqui chega a tocar além da superfície. Ainda bem que ele existe. Os afagos mais carinhosos e os abraços mais apertados vieram de longe, de gente que realmente se importa.

Como sempre, sem se dar conta, ela me secou a lágrima que estava pendurada no cantinho do olho, me deu um sorriso de presente, e ainda lembrou de dizer que o presente de verdade está pra chegar, e não demora nada.

Que me desculpem os novos amigos, mas tempo de serviço é importante e eu gosto. Ela me conhece há 22 anos e só hoje eu me dei conta disso. Sabe como é botar os pés na mesinha de centro na sala da pessoa? Saber de todos os seus ex-namorados, dos seus defeitos e qualidades? Assistir televisão na cama, entre ela e o marido, morrendo de rir do filme idiota? Abrir a geladeira sem pedir licença e descobrir que tem a minha sobremesa favorita? Chamar uma a outra por apelidos que, em público, nos causariam vergonha? Antigüidade é posto (como é que bota o trema, minha gente?) (Obrigada, Gabi!).

A minha outra metade acordou hoje cantando ‘parabéns pra você’. Mas a música do dia acabou sendo ‘Jaded’, do Aerosmith.