fevereiro 2009


Kuduro, Psirico, Cole na Corda, Fantasmão.

Eh, Bahia criativa da peste. Dá gosto de ver. Aqui.

A melhor parte do carnaval da Bahia é passá-lo comfortavelmente sentada no escritório, fazendo de conta que estou trabalhando, como todo ano. Ela chega pra me fazer companhia. Quantos carnavais já passamos juntas, Ju? Vários.

Vamos ver a câmera do Irdeb/TVE, que funciona bem, escolho a câmera ao vivo do Campo Grande, não que valha alguma coisa o carnaval do Campo Grande, mas eu estou cagando pra o que acontece na Barra. Sou campograndeana até morrer.

Um triozinho furreca está passando, com uma bandinha coisinha de nada, mas a repórter baiana com sotaque paulista anuncia que o ChicRete com Banana virá a qualquer momento, então é por aqui mesmo que eu fico.

Vale notar que já passei muito aperto por causa de Bel, nunca porque escolhia estar por perto quando ele passava, mas porque estava sempre tentando chegar a algum lugar importante numa determinada hora quando o desgraçado despontava na esquina. Ainda guardo cicatrizes.

Antes do Camaleão passar, a repórter faz uma geral na história do bloco e da banda e afirma que o bloco é casamenteiro. Em entrevista exclusiva, Valdinei apresenta a esposa Edileusa, que conheceu no carnaval, dentro do Camaleão. Valdinei mandou foto do casamento pra Bel, que achou tudo lindo, da decoração estilo minimalista à musica de entrada, e disse que amor de chicleteiro é coisa seria, amor que começa no carnaval do ChicRete não acaba nunca mais. Meu querido primo Hans, que saía no bloco todo ano sem a esposa, diria sabiamente, com sua voz de camelô, que “amor que fica é amor de….. mãe.”

E lá vem Bel com tudo, animadíssimo como sempre, dando tudo de si. Mas não é a mesma coisa. Eu acho as músicas novas muito desanimadas, o ChicRete não quebra tudo mais? Nem vejo a galera dando murro em todo mundo ao redor. O povo tá ficando fraco – ou eu estou mesmo ficando velha.

Sempre me retei com Bel por causa dessa falação no Campo Grande, a gente querendo ouvir música e ele falando. Resolveu homenagear Carlinhos Brown e o que ele tem feito pelo carnaval da bahia (ai!) nos últimos trinta anos. O cabra comecou a tocar com 5 anos de idade, todo mundo sabe disso. Mas Bel, Brown tá com a vida ganha e o pessoal pagou caro pra sair com você, vamos tocar? Moranguinho, eu quero ouvir moranguinho, que é do meu tempo.

Pô Bel, que musica feia é essa? Assim eu não sinto nem saudade. Canta aí “moranguinho no copinho esperando por voce…” Adoro!

Afe, cansei! Precisa muita energia pra acompanhar a ação toda daqui. Vamos parar pros comerciais, depois eu volto.

No dia em que Obama era eleito, o estado da Califórnia tomava uma decisão lastimável. Por meio de voto, conhecido como Proposition 8, o povo californiano decidiu alterar sua constituição pra incluir nela que o casamento é uma união entre um homem e uma mulher. A frase torna impossível a realização de casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Depois dessa triste decisão, inúmeros protestos estouraram no estado. Hoje cedo, no blog da Alex, eu vi o mais lindo de todos eles. Não deu pra segurar as lágrimas.

Tomo floral de Clematis, que é pra ajudar a me concentrar. Tenho a mente sonhadora, me distraio facilmente de qualquer atividade. Troco qualquer coisa importante por uma memória do passado. Não acredito em florais.

Acho Orkut um negócio besta, mas reencontrei algumas pessoas do passado, que pareciam perdidas para sempre. Continuo lá, naquele negócio besta.

Jogo flores ao mar no dia 2 de Fevereiro, se houver mar por perto. Tenho imagens de orixás em casa. Respeito o candomblé como caracteristica cultural e historica do lugar onde nasci. Vou ao terreiro como vou ao teatro ver uma peça. Nao tenho fé nenhuma.

Quando eu morrer quero cada pedacinho de mim doado pra alguém que precisa sobreviver. Quero o resto queimado, jogado no mar, de onde eu vim e pra onde voltarei. Tenho horror da imagem de um cadáver pinicado, faltando pedaços, a caminho crematório.

Me emocionei muito quando vi pessoas rezando fervorosamente aos pés do túmulo de São Pedro, no Vaticano. Liguei pra meu pai e chorei, porque ele sim tem fé. A fé dos outros me comove, mas não me inspira.

A pessoa que mais me conhece nesse mundo é alguém a quem só vi uma vez na vida. Com essa pessoa não tenho reservas, não visto mascaras, não tenho medo de me mostrar. Só não sei se ela sabe disso.

Odeio cachorros, tenho medo deles. Não gosto de bichos dentro de casa, de um modo geral. Não gosto de gente que me julga por isso.

Se vista numa festa, pareço a pessoa mais popular do pedaço. Converso com todo mundo, falo e rio alto. Tenho sempre muitos convites pra festas e jantares, gosto também de cozinhar pra pequenos grupos de amigos. Não tenho paciência com gente, não gosto de trabalho em grupo, de atividades comunitárias, de intimidades com vizinhos, de turmas ou patotas. Gente é um bicho muito contraditório.

A reforma ortográfica me enfada. Me comporto como uma tia velha, que insiste em falar e escrever como aprendeu na escola.

Penso que sou uma pessoa feliz escondida por trás de uma máscara mau-humorada. Mas pode ser exatamente o contrário.