Tomo floral de Clematis, que é pra ajudar a me concentrar. Tenho a mente sonhadora, me distraio facilmente de qualquer atividade. Troco qualquer coisa importante por uma memória do passado. Não acredito em florais.

Acho Orkut um negócio besta, mas reencontrei algumas pessoas do passado, que pareciam perdidas para sempre. Continuo lá, naquele negócio besta.

Jogo flores ao mar no dia 2 de Fevereiro, se houver mar por perto. Tenho imagens de orixás em casa. Respeito o candomblé como caracteristica cultural e historica do lugar onde nasci. Vou ao terreiro como vou ao teatro ver uma peça. Nao tenho fé nenhuma.

Quando eu morrer quero cada pedacinho de mim doado pra alguém que precisa sobreviver. Quero o resto queimado, jogado no mar, de onde eu vim e pra onde voltarei. Tenho horror da imagem de um cadáver pinicado, faltando pedaços, a caminho crematório.

Me emocionei muito quando vi pessoas rezando fervorosamente aos pés do túmulo de São Pedro, no Vaticano. Liguei pra meu pai e chorei, porque ele sim tem fé. A fé dos outros me comove, mas não me inspira.

A pessoa que mais me conhece nesse mundo é alguém a quem só vi uma vez na vida. Com essa pessoa não tenho reservas, não visto mascaras, não tenho medo de me mostrar. Só não sei se ela sabe disso.

Odeio cachorros, tenho medo deles. Não gosto de bichos dentro de casa, de um modo geral. Não gosto de gente que me julga por isso.

Se vista numa festa, pareço a pessoa mais popular do pedaço. Converso com todo mundo, falo e rio alto. Tenho sempre muitos convites pra festas e jantares, gosto também de cozinhar pra pequenos grupos de amigos. Não tenho paciência com gente, não gosto de trabalho em grupo, de atividades comunitárias, de intimidades com vizinhos, de turmas ou patotas. Gente é um bicho muito contraditório.

A reforma ortográfica me enfada. Me comporto como uma tia velha, que insiste em falar e escrever como aprendeu na escola.

Penso que sou uma pessoa feliz escondida por trás de uma máscara mau-humorada. Mas pode ser exatamente o contrário.