A melhor parte do carnaval da Bahia é passá-lo comfortavelmente sentada no escritório, fazendo de conta que estou trabalhando, como todo ano. Ela chega pra me fazer companhia. Quantos carnavais já passamos juntas, Ju? Vários.

Vamos ver a câmera do Irdeb/TVE, que funciona bem, escolho a câmera ao vivo do Campo Grande, não que valha alguma coisa o carnaval do Campo Grande, mas eu estou cagando pra o que acontece na Barra. Sou campograndeana até morrer.

Um triozinho furreca está passando, com uma bandinha coisinha de nada, mas a repórter baiana com sotaque paulista anuncia que o ChicRete com Banana virá a qualquer momento, então é por aqui mesmo que eu fico.

Vale notar que já passei muito aperto por causa de Bel, nunca porque escolhia estar por perto quando ele passava, mas porque estava sempre tentando chegar a algum lugar importante numa determinada hora quando o desgraçado despontava na esquina. Ainda guardo cicatrizes.

Antes do Camaleão passar, a repórter faz uma geral na história do bloco e da banda e afirma que o bloco é casamenteiro. Em entrevista exclusiva, Valdinei apresenta a esposa Edileusa, que conheceu no carnaval, dentro do Camaleão. Valdinei mandou foto do casamento pra Bel, que achou tudo lindo, da decoração estilo minimalista à musica de entrada, e disse que amor de chicleteiro é coisa seria, amor que começa no carnaval do ChicRete não acaba nunca mais. Meu querido primo Hans, que saía no bloco todo ano sem a esposa, diria sabiamente, com sua voz de camelô, que “amor que fica é amor de….. mãe.”

E lá vem Bel com tudo, animadíssimo como sempre, dando tudo de si. Mas não é a mesma coisa. Eu acho as músicas novas muito desanimadas, o ChicRete não quebra tudo mais? Nem vejo a galera dando murro em todo mundo ao redor. O povo tá ficando fraco – ou eu estou mesmo ficando velha.

Sempre me retei com Bel por causa dessa falação no Campo Grande, a gente querendo ouvir música e ele falando. Resolveu homenagear Carlinhos Brown e o que ele tem feito pelo carnaval da bahia (ai!) nos últimos trinta anos. O cabra comecou a tocar com 5 anos de idade, todo mundo sabe disso. Mas Bel, Brown tá com a vida ganha e o pessoal pagou caro pra sair com você, vamos tocar? Moranguinho, eu quero ouvir moranguinho, que é do meu tempo.

Pô Bel, que musica feia é essa? Assim eu não sinto nem saudade. Canta aí “moranguinho no copinho esperando por voce…” Adoro!

Afe, cansei! Precisa muita energia pra acompanhar a ação toda daqui. Vamos parar pros comerciais, depois eu volto.