Esse fim de semana eu li uma matéria no NY Times sobre a relação dos jovens com o facebook. Se você não lê ingles, deve ter alguma tradução na web.

A idéia central é que os adolecentes de hoje vivem um tipo de presente misturado ao passado, de forma que eles não desconectam. E’ meio que levar seus amigos da escola pra participar de sua vida universitária e, mais tarde, de sua vida adulta. O resultado é que tem sempre alguém te puxando pra trás, pra o que você era antes. E aí eu fiquei pensando na minha adolescência, em como me afastar dos amigos de determinada fase foi importante pra que eu me permitisse mudar e, assim, crescer.

A maioria dos meus colegas de escola foram direto pra universidade fazer medicina, engenharia, direito e essas coisas todas que fazem papai e mamãe se sentirem orgulhosos. Eu faltei ao vestibular da Universidade Federal da Bahia e fui a um Porto da Barra vazio e tranquilo. Como sempre encontrei as respostas pros dilemas da vida nadando naquelas águas, descobri que queria trabalhar e ser independente. Nao riam, por favor, eu já cuido de rir de mim mesma, o tempo todo.

Naquele tempo, era fácil desaparecer do mapa. E foi o que eu fiz. Mesmo morando na mesma cidade que meus colegas, eu nunca os encontrava. O universo dos que não estudam na federal nunca cruza com os que fazem… sabe-se lá o que fazem os que não estudam na federal. Pelo menos, era assim no meu mundo. E me servia porque, embora eu não me arrependa daqueles anos, é embaraçante se tornar um adulto, é embaraçante crescer e, se você está fazendo isso de forma não-tradicional, tanto melhor que o faça sozinho.

Imagino-me hoje, numa era em que as pessoas usam o  facebook e outros aplicativos pra anunciar pro mundo o que comeram no jantar, que transaram ontem à noite e com quem, que entraram em tal faculdade, que suas notas são altas ou baixas. Será que eu teria tido a coragem de quebrar a minha cara sozinha, como havia escolhido? Teria tido vergonha de me formar aos 25 anos e nao aos 21? Não consigo imaginar uma vida patrulhada por pessoas que deveriam pertencer ao meu passado, com alguém sempre me lembrando que eu não era assim, que eu era asssado, quando eu só estava experimentando.

Eu arrumei outros amigos, aqueles do mundo dos que trabalham cedo porque nao tem grana pra ir pra faculdade, mas encontrei muita gente que, como eu, queria viver outras experiências. Eventualmente, muitos de nós acabaram voltando a estudar e, naturalmente, nos separamos, indo em busca de outro universo de pessoas.

Dez anos depois eu estava pronta pra me reunir com a minha melhor amiga do segundo grau, e tem sido uma relação muito feliz. Hoje sabemos que não teriamos suportado aqueles anos juntas, que a separação foi importante e necessária. Nós gostamos de nos conhecer desde que tinhamos 15 anos, mas sabemos que somos muito melhores agora.

As vezes é preciso tirar uns amigos do caminho, encontrar outros, e se livrar desses outros ainda, se reinventar como alguém diferente e fazer tudo isso sozinho, porque crescer dói e tem gente que quer sentir a dor quietinho no canto. Eu gosto de lembrar da minha pessoa entre 15 e 20 anos anos pra aprender com os erros dela, mas eu não quero conviver com ela, nem com ninguém que me fale da sua existência.