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“Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto”

A pedrada acima foi atirada por Maria Mariana, aquela menina fofa, que brincava de ser adolescente. No seu novo livro, sobre a maternidade, M.M. posa de expert no papel de mãe e de mulher. Outras bobagens como essas estão por aí, tiradas do livro ou de entrevistas com ela. Vários blogs estão discutindo o assunto. Eu deixo às mulheres que são mães o prazer de dar umas lições virtuais a essa menina, que não teve a sensibilidade de poupar sequer as vítimas de depressão pós-parto. Me concentro aqui nos absurdos que ela disse sobre o papel da mulher na sociedade.

Segundo M.M., pra ser mulher de verdade, a gente tem que casar, apanhar cueca suja no chão, deixar que o marido dirija a nossa vida, ter filhos de parto normal, amamentar e ficar em casa com eles dez anos. Na questão de amamentar, ela frisa que só a quem merece será concedida a graça. Ou seja, na hora h, se não tiver sido uma boa menina, nada de leitinho. Punição, gata, no melhor estilo católico de ser.

Sabe o velho sentimento de culpa e inadequação que atinge tantas mulheres ao saberem que não podem gerar filhos? Ao ouvirem o tempo todo de amigos e parentes que precisam casar, ter família, quando preferem viver sozinhas? M.M. capitaliza nesses sentimentos e tantos outros pra vender livro. Que vergonha. Eu tenho pena das suas filhas, de crescerem num ambiente onde o papel da mulher sofre um retrocesso de pelo menos 20 anos. O que eu desejo é que elas sejam fortes o bastante pra se libertarem dos absurdos que a mãe lhes ensina.

De acordo com a pregação da santíssima M.M., eu sou uma mulher por demais inadequada ao meu papel, ao papel que deus escolheu pra mim. Segundo ela, deus quer o homem no comando, porque o homem é mais frio pra tomar decisões, enquanto a mulher é boa conselheira. Isso é porque ela ainda não me conheceu, porque eu não jogo bem na retranca, não. Eu prefiro estar no comando do meu corpo, da minha vida, da minha carreira, do meu caminho. E eu não cato cueca de ninguém. Até porque ele, ainda bem, foi educado por uma mãe muito inteligente, pela cabeça dele sequer passa a idéia de que eu vá catar o que quer que seja. E se eu não tenho filhos, a minha experiência tem servido pra educar minha mãe. Isso porque ela, que foi educada por mãe, avó e tia que pensavam como M.M., tem aprendido muito em como viver melhor através da filha.

Finalmente, a mocinha também resolveu dizer que o feminismo “teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras.” Quanto a isso, eu penso que, enquanto houver gente como M.M. educando indivíduos, o feminismo ainda tem um trabalho árduo a realizar.

Foto daqui.