Alexia_dad

Minha rimã. Era assim que ela me chamava quando era pequenininha. Eu adorava. Minha garotinha, meu bebê. Há quem diga que a gente se parece. Deve ser verdade, o amor faz as pessoas se parecerem fisicamente.

Minha pequena fez 15 anos esse mês e ganhou uma festa linda. Eu não estava lá. O preço de morar longe às vezes é alto demais. Lembrei do seu aniversário de dez anos, quando ela implorou que eu fosse pra festa: “Só um dia, Carla, só um dia. Depois você pega o ônibus de volta pros Estados Unidos.” Também fiquei pensando em quando ela fez 1 aninho. Naquele eu estava, e ela estava tão feliz, tão linda. O sorriso fácil, do mesmo jeitinho de agora. A gargalhada sonora, que ainda hoje contagia as pessoas ao redor. Ela era um bebê que gargalhava muito. Bastava fazer uma gracinha e ela ria, solta, feliz. Um aninho apenas, e já tinha mudado tanto as nossas vidas.

Minha rimãzinha, minha Aléxia, meu formigão está uma moça, uma mistura gostosa de menina e mulher. Está descobrindo coisas com uma rapidez incrível e eu, às vezes, me pego querendo que o tempo pare, achando que está cedo demais pra tudo. Logo eu, que com sua idade já era tão dona de mim, tão independente.

Ela está sempre perguntando com quantos anos eu namorei, com quantos anos eu dirigi, essas coisas de ter um exemplo a seguir. Não quero que ela vá tão rápido quanto eu fui. Quero pedir que demore um pouquinho mais, que é pra gente poder aproveitá-la assim, nesse momento indeciso entre a infância e a juventude.

Feliz aniversário, meu amor. Que você tenha tudo que eu tive, e mais. Que as suas oportunidades sejam ainda mais ricas que as minhas, que as suas escolhas sejam melhores que as minhas. Que a sua transição pra vida adulta seja leve, feliz, sem os percalços que eu tive. Que a dor demore a te encontrar.

Te amo demais.

Na foto, ela, linda, e o bem que dividimos: nosso pai.