Acabei de ver Precious, o filme. Faz umas 2 horas que meus olhos nao secam. Nao um choro constante, de solucar, mas uma lagrimazinha secreta que aparece no cantinho do olho. Meu coracao esta em pedacinhos miudinhos, e doi pra caralho.

Nao me lembro de ter terminado um filme tao arrebentada emocionalmente. Parece que tomei uma surra. A historia de Precious e’ feito um monstro de garras afiadas, maos enormes, sujas, que vao se enfiando pela sua garganta abaixo a procura do resto de humanidade que existe em voce. Ainda que voce tenha escondido o restinho nas profundezas dos infernos da sua vidinha egoista, o monstro vai la e acha o bocadinho de gente que existe em voce. Mas nao grite de dor porque funcking nobody ain’t coming to fucking help you, ‘cause you are a piece of fucking worthless crap.

Eu sei, sem precisar ler pesquisa academica nenhuma, que tem muitas garotas como a Precious perambulando por ai. Elas estao ali, na fila do supermercado, sentadas ao meu lado no onibus, e eu nao as vejo. Voce tambem nao as ve. Elas sao invisiveis. Quando chegamos a enxergar uma delas, a garota de 16 anos, negra, gorda, pobre e gravida, saindo do McDonalds com seu balde de coca-cola na mao, com certeza a julgamos imediatamente. Olhamos pra ela e construimos a historia daquela gravidez todinha, como se fossemos capazes, sem parar pra notar a tristeza, o horror, o medo, a humilhacao ali nos seus olhinhos de menina.

Eu nao consigo mais falar, pensar, escrever sobre desse filme. Tenho que, de alguma forma, me livrar dele e conseguir dormir. Ate porque, daqui do meu castelo, nao ha nada que eu possa fazer nesse momento pra aliviar o sofrimento das meninas Precious que, nesse momento, sofrem sua dor maior.

Se nao viu, veja. E’ necessario. Mas segure a merda de sua onda porque o barato nao e’ moleza nao. Viaje na fantasia criada por Precious, e’ o unico jeito de voce aguentar o filme. Depois nao diga que nao avisei.