novembro 2010


Ontem a noite, depois de um concerto lindissimo da Filarmonica de Rochester com a pianista Olga Kern, me achando o maximo porque tinha visto um espetaculo daquele por dez dolares (sim, eu ainda trabalho na universidade), tomei foi um belo balde de agua gelada pela cara.

Explico: Depois do concerto, atravessamos a rua e fomos a um elegante bar/restaurante que e’ o destino natural daqueles que deixam o Eastman Theater. Ao entrarmos, fiz uma referencia ao pretendente virtual da nossa companheira de concerto, disse que ele tinha uns tracos judeus, pelo que vi na foto. Ela, imediatamente, respondeu: “e’, eu notei isso tambem, e fiquei um tanto decepcionada.” Ao dizer isso, olhou pro meu marido judeu e disse: “mas, como eu sei que existe um bom judeu, um unico fantastico judeu que eu adoro, tenho esperanca que ele seja outro.”

E ai e’ o que eu lhes digo no titulo desse post, freguesia: Nao vai acabar nunca, nem no meu tempo de vida nem no seu. Nao viveremos pra passar nem um mes sequer sem ouvir esse tipo de barbaridade de gente que temos a certa proximidade do nosso coracao. Nessas horas eu perco completamente qualquer esperanca na evolucao dessa merda de raca humana, nessas horas eu tenho vontade de sumir!

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A minha consciencia e’ negra.

Nao perca o Ildeber e a Ana Maria Goncalves.

E, pra celebrarmos com alegria, ouca a obra de Portugal e Lazo Matumbi, com Margareth Menezes e Virgina Rodrigues:

Nao sei por que cargas d’agua eu resolvi escrever aqui umas coisas sobre mim. Talvez pra lembrar a mim mesma daqui a uns dois anos quem eu era hoje, 19 de Novembro de 2010. Porque a caravana ta passando numa velocidade estonteante, meu amigo, e daqui a dois anos sinto que serei outra. Mas vamos deixar de tra-la-la e escrever esta porcaria de post que nao interessa a ninguem.

1. Adoro a lingua inglesa, falada. Odeio a lingua inglesa, escrita. Adoro a esperteza dessa lingua de dizer tanto em tao pouco. Odeio quando me cortam as frases escritas dizendo que eu sou prolixa , viro o diabo, sinto saudades do Portugues que me mato. Mas o fato e’ que eu gosto de enrolar a lingua pra falar, gosto mesmo.

2. Nao me abala o Natal. Nem gosto nem desgosto. Se tiver festa pra ir, vou e levo presentes, levo champagne tambem. Gosto de dar presentes bem muito. Mas nao precisa ser no Natal. Odeio festa da firma. Odeio musica natalina. Odeio. Natal em familia nao me diz nada.

3. Nao tenho manias bestas de filha unica, apesar de ter sido unica na infancia e adolescencia. Nao suporto chiliquinho de menina mimada e, se me pego comecando um, dou-me uma cortada e paro logo.

4. Me sinto bem comigo mesma, sozinha. Se eu entrar no meu carro pra uma curta viagem de umas duas horas, tenha certeza, nao estou sentindo saudades de voce. Naquelas duas horinhas eu estarei imersa em mim mesma, numa dedicacao nunca dantes vista. Seremos eu e meu umbigo nos fazendo companhia. Estaremos felizes, eu e meu umbigo, assim, sem ninguem mais por perto. Mas nao dura uma eternidade, so umas duas horinhas.

5. Eu gosto de vinho espumante, it’s my thing. Cava, champagne, prosecco, borbulhou tamo junto.  Se me surpreender numa noite fria, em casa, de pijama, e’ capaz de estar com um copinho de espumante na mao. Serio, existe bebida mais democratica? Ate no cafe da manha vai bem.

6. Tenho medo de ficar sozinha no final, de nao ter ninguem. Por isso, distribuo amor aqueles que me sao caros. Nao ter filhos e’ uma decisao arriscada pra alguem que tem esse medo. Sofro momentos de reavaliacao com frequencia por causa disso.

7. Gosto da liberdade que o dinheiro da. Nao de ter coisas legais e chiques ao meu redor, se voce me conhece sabe que eu nao me rodeio de luxo, muito pelo contrario. Falo e’ de poder acordar com a pa virada, entrar na internet e comprar uma passagem. Conforto de saber que posso pagar, mesmo que seja a prazo. Pra mim, dinheiro so presta se vier com liberdade.

8. Fiz quarenta anos, e esta sendo tudo exatamente como eu pensei que fosse. Mudancas sao dificeis, crescer doi. Mas e’ bao.

Eu tenho uma amiga que posta o tempo todo no FB sobre as eleições. Ela faz todo tipo de comentário vazio. Nunca, em tempo algum, deu razão qualquer pra seus comentários negativos a respeito de Dilma.
Ela mora nos EUA, como eu. Mas tem Globo e eu nao tenho. Ela deve ouvir coisas que eu nao ouço, nem quero ouvir. Não uso a Globo como fonte de informação. No maximo, assisto a um capitulo ou outro de uma novela, online, pra saber quem é a mulher que ta tomando porrada dessa vez. Tem sempre mulher tomando porrada nas novelas da G, ne? But I digress.
Hoje, depois da eleição mais do que decidida, ela entregou o destino do pais “nas mãos de Deus”, no FB. Eu fico morrendo de vontade de perguntar por que ela disse isso. Mas tenho medo da resposta. Eu só me lembro que na época que o caso  Bruno x Elisa estourou ela culpou a vitima pela própria morte.
Eleição e’ bom pra gente saber com quem anda, ne?

 

Update: Eu, que dizia que nunca iria me meter em discussao politica no FB, acabei de me enfiar em uma. Mas nem e’ politica, e questao social, questao de humanidade mesmo. Merda, eu nao gosto de me meter nessas coisas em veiculo publico.

Eu vou tirar onda igual ao cara que diz que tem amigo preto, portanto nao e racista. Eu tenho amigo republicano, amigo que vota em Serra, tenho amigo que acha que lugar de mulher e’ na cozinha, tenho amigo que e’ estritamente contra imigrantes terem qualquer direito nos EUA. Eu tenho ate amigo canalha, olha so. Mas eu nao discuto o merito da canalhice dos meus amigos, porque de uma discussao dessa a gente nao sai amigo.