Guarajuba

A partir do próximo domingo estarei em Salvador por três lindas, deliciosas semanas. Se andei sumida, a coisa agora só tende a piorar. Vou estar muito ocupada procurando o segredo da felicidade nas areias da Praia do Flamengo, tentando entender o sentido da vida me banhando nas águas da Baía de Todos os Santos.

Tá bom, meu sumiço não é de hoje, e a viagem não é a razão dele. Eu não tenho tido vontade de escrever sobre absolutamente nada. Ando cansada de falar com essa tela sem olhos, sem mãos, sem rosto. Sinto vontade de me concentrar nas relações que envolvem toque, cheiros, olhares, nas que tem passado, que me trazem lembranças. Não quero ter que me explicar, por isso é melhor estar com pessoas que me conhecem.

Talvez eu volte logo, pode ser que eu queira falar das coisas que verei em Salvador. Talvez não.

Como ainda é Janeiro, dá tempo de eu lhes desejar um 2008 muito legal, do jeito que você merece. O meu está começando bem, muito bem.

Até mais.

Foto: Lagoa de Guarajuba, Março de 2007.

Papai Noel respondeu à minha cartinha dizendo que eu não terei presente esse ano, de novo. Na hora da classificação, eu caí na coluna naughty. Pra ganhar presente, a pessoa precisa ser listada na coluna nice. Humpf! Ano após ano eu caio nessa coluna, nunca consigo ser uma boa menina o ano inteiro.Paciência. Como uma boa menina má* eu não faço questão de presente mesmo. Se eu quiser alguma coisa eu vou lá e compro, pronto. O que eu quero de verdade nesse natal é que ninguém me obrigue a cantar a canção título desse post, que eu não precise participar de amigo secreto (porque eu conheço todos meus amigos), que eu não seja convidada pra festa de fim de ano do serviço do meu marido (já basta a minha) e que o pessoal do meu serviço se abstenha de me dar presentinhos inúteis e engordativos. Só isso, né muito não.

Ah, já ia me esquecendo… Eu também queria que dezembro passasse logo e que janeiro chegasse bem rapidinho, com cheirinho de mar, gosto de água de côco, céu azul e areia nos pés. Dá pra ser?

De qualquer forma, tomara que os sinos toquem pra vocês todos, meus queridos. E que seja na hora e no ritmo que você escolheu. Tenham cuidado na festa da firma (o povo vê tudo), não comam muito panetone (aquilo tem muita manteiga), não se excedam no champã (olha quem fala…) e não façam cara feia quando receberem aquele presente horroroso de amigo secreto (quem mandou participar?). Se comportem!

Gingou Béus pra todo mundo!

*O.S., eu juro que não foi de propósito. Juro. Você acredita?

Eu nao vou falar de minha visita a Italia ainda. Agora, eu so quero dizer que estou sentada na cadeira dela, usando o computador dela, onde todos esses anos ela sentou pra falar comigo pelo msn. Se voce quer saber, nos nos amamos exatamente como era a distancia, do mesmo jeitinho. Vai ser muito dificil deixa-la.

colosseum

Minha meia dúzia de leitores que me perdôe, mas eu vou me ausentar por uns dias. Vou ali dar umas voltinhas na Cidade Eterna, tomar muito chianti, muito capuccino e conhecer essa fofa aqui, depois de mais de três anos de amizade virtual. Nós vamos saracotear em Roma, em Napoli e na Costa Amalfitana. Ao que tudo indica, o tempo estará melhor do que aqui e, com fé, teremos sol.

Desde que eu moro aqui, é a primeira vez que vou perder o turkey day (thanksgiving), meu feriado americano favorito. Mas não dá pra reclamar, né?

Baci a tutti!

Foto do Colosseo daqui.

Um antigo provérbio diz: “One should drink a bottle of wine per day, unless one is ill, in which case it should be two bottles.” I will be following this literally in the next week.

Quase todo dia a gente vê notícias de estudantes levando armas pra escola, alunos de universidade atirando nos colegas, em professores. O episódio de Virginia Tech foi um dos mais traumáticos, pessoas conhecidas nossas trabalhavam no prédio onde tudo começou, os alunos daqui tinham amigos lá, um drama horrível.

Apesar de trabalhar numa universidade, eu nunca pensei que pudesse me sentir ameaçada por algo assim, a gente sempre acha que só acontece com o vizinho. Bem, esse meu modo de ver as coisas mudou na última sexta-feira à tarde, quando um aluno desconhecido, visivelmente perturbado, entrou no meu escritório dizendo que precisava conversar comigo. A conversa que ele tentou ter comigo foi surreal, ele se recusou a me dizer seu nome ou o nome do professor de quem se queixava tanto, estava agitado e em total desequilíbrio emocional. As expressões no rosto dele iam de indignação a ironia, de choro a desprezo em questão segundos. Quando eu disse a ele que precisava de mais informação pra tentar encaminhá-lo a alguém que pudesse ajudar, ele gritou que eu o estava desrespeitando, e a expressão no seu rosto era de raiva. Deixei que falasse. O telefone tocava insistentemente, eu sabia quem era, precisava muito atender, com muito cuidado pedi licença. Ele agiu como se tivesse sido gravemente ofendido por mim, abriu a mochila e… Desistiu do que ia pegar, agarrou suas coisas e saiu do meu escritório correndo, como se fugisse de algo. Eu fechei a porta e fiquei ali, sozinha, com medo.

Eu me sentia péssima, um misto de culpa e raiva. Culpa por ter falhado, por não ter realmente tentado ajudar aquele jovem desesperado por atenção. Raiva porque sabia que ele tinha me provocado a culpa, e que não cabia a mim ajudá-lo, ele precisava de um médico. Depois veio de novo o medo de que ele tivesse uma arma naquela mochila e saísse atirando. Era quase fim do dia, fui embora. Em casa, passei a noite inteira pensando no cara e nas coisas que ele disse.

Hoje cedo comecei a contar a história a um dos professores do departamento e ele me interrompeu dizendo que sabia o que tinha acontecido. O garoto foi daqui direto pra sala do tal professor, que era o alvo de suas críticas. Chegando lá, fechou a porta com violência e começou a gritar coisas desconexas, a chorar muito e a dizer que ele não tinha tentado ajudá-lo e que eu não tinha competência. Gritou o que quis e foi embora, batendo a porta de novo. Ao chegar ao seu escritório hoje, o professor encontrou uma sacola pendurada na porta, com uma nota de desculpas pra ele e pra mim, e um presente pra cada um de nós.

Estamos escrevendo uma carta que será enviada, junto com os presentes, ao departamento apropriado pra cuidar disso. Nós dois concordamos que não há como ser tolerante num caso assim, não depois de tantos outros casos de estudantes perturbados terem virado tragédias. Espero que a alta administração da universidade tome uma atitude responsável, e que eu esteja errada, muito errada, em relação a esse aluno.

Update: Gente, obrigada pelos comentarios de apoio. Eu estou bem, nada de ruim aconteceu e a a diretoria da universidade esta tomando providencias pra que o aluno tenha tratamento adequado. Ele ja teve uma conversa longa com o professor e manifestou a vontade de conversar comigo, mas eu sinceramente estou evitando. Tomara que ele fique bem, a gente tambem tem medo de que ele faca algo contra si mesmo.

Snow Leaf

A primeira neve do ano ninguém esquece. Estamos aqui, eu e meus colegas de trabalho, observando a chuva lá fora que, devagar, se transforma em neve. Há várias palavras em inglês pra definir o tipo de neve que cai. A essa mistura de chuva e neve, chamamos slush. Não há sol pra iluminar o resto de cor que sobra do outono. Novembro aqui é sinônimo de dias cinzentos. Muitos dão gritinhos excitados, outros, como eu, expressam desapontamento. Ela chegou.

Foto de Briansbabe, do webshots.

A Fal, uma mulher de sabedoria indescritível, escreveu pra uma de suas milhares de visitantes diárias: “Fia, tô indo caminhar que o mundo é grande”. Eu li aquilo e fiquei com minha cara de idiota olhando pra tela, pensando que é exatamente isso que eu preciso fazer, ao invés de ficar me prendendo a compromissos irreais e a pequenos prazeres que não valem a luta. Ela só não disse onde é que a gente arruma coragem.

Tem uma coisa muito legal rolando no mundo virtual na blogosfera (eu odeio essa palavra, mas precisei usá-la aqui). A Copa de Literatura Brasileira. Aqui tem post inaugural do coordenador do projeto.

O negócio é assim: Cada jogo é disputado por dois livros de autores diferentes. Os jurados são todos, acredito eu, blogueiros famosos. Cada jurado “apita” um jogo e determina quem ganhou e quais as razões… ora, voce sabe como funciona uma copa de futebol, né? Então.

Como no futebol, às vezes o jogo esquenta, e já teve até escritor que apareceu na caixa de comentários, no final do jogo. Vai lá ver, vai. Depois me conta o que você achou.

Eles já vão pras quartas de final, mas ainda dá pra ler sobre os jogos anteriores e acompanhar a disputa.

Abertas as inscrições para o fantástico curso de Arte na História da Fal.
O curso é totalmente virtual.
Peça informações aqui: artenahistoria@gmail.com

Imperdível!!!!

Copiei o anúncio da Mani :)

ARTE NA HISTÓRIA

Aula I
Arte. Que é isso?
Algumas teorias sobre o surgimento da arte.
Pedra lascada, pedra polida.
A vida como nós a conhecemos: as primeiras civilizações
No princípio era o verbo
Dos tijolos sumerianos aos jardins suspensos da Babilônia, passando pelos gatinhos do Egito.
Os números da Maloca
Tantos povos, tantas histórias: persas, minóicos, micênicos, hititas, lídios, medos, dóricos fenícios, cartaginenses e, ufa, hebreus

Aula II
Se oriente rapaz I: China e Índia
As crianças da Grécia
Os geniais etruscos
Roma e a não-arte

Aula III
Balaio de gatos: bárbaros germânicos, arte românica, gótica e a Idade Média
Construindo catedrais com a Ana Paula
Se oriente rapaz II: Japão

Aula IV
Humanismo
Grandes navegações: o mundo diminui
A terra é mui graciosa, tão fértil eu nunca vi
Apertem os cintos, o Papa sumiu

Aula V
O barroco francês, Rembrandt, Bach e outras coisas do século XVII que fazem meu coração sorrir
Bebendo café com o Mauro

Aula VI
Carneirinho, carneirão: o Arcadismo
Born in the USA
Eu sou Napoleão Bonaparte
Linha de montagem

Aula VII
Vizinhos Reais
Noutras palavras, sou muito Romântico
Romantismo Português, ó pá!
Eu te amo, porra! - Romantismo no Brasil
Evolução: ‘Sua mãe pode até descender dos macacos, mas a minha não’

Aula VIII
A vida como ela é: O Realismo
A Natureza é tão natural
Simbolismo
Lerê Lerê
República ou morte
Impressionante
Freud, explica!!

Aula IX
Século novo, vida nova
Espartilhos e grandes bigodes: a Primeira Guerra Mundial
Futurismo, cubismo, dadaismo: é ismo que não acaba mais
Modernismo: Brasil e Portugal
Derretendo relógios
Fazendo moda, fazendo arte
Nós cantamos na chuva
A Segunda Grande Guerra
Baby boom
O anjo pornográfico

Aula X
Flower Power, o passaporte pra revolução
As veias abertas da América Latina
Coca-cola é isso aí: a publicidade e o divino, e as malas da Carla San
Moda, cinema, literatura, poesia, arquitetura, teatro, pintura, escultura, publicidade, rádio: stress puro ou seu dinheiro de volta.
O Havaí seja aqui : internet, a nova arte e o diário coletivo
De volta à pintura de paredes: os novos urbanos

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